Cidadania
Residência e vistos
Serviços
BlogVagas
Português
Consultoria gratuita

Acordo de residência do Mercosul e vantagens da cidadania

37 min de leitura · ·

Cidadania espanhola em 2 anos para o cidadão nato, em 10 para o naturalizado. Onde dá para morar com passaporte argentino, brasileiro, paraguaio ou uruguaio, quanto custa a residência do Mercosul, quão rápido sai a próxima cidadania e quais vantagens estão fechadas para quem tem o passaporte há pouco tempo.

Um argentino nato pode pedir a cidadania espanhola depois de dois anos morando na Espanha. Quem se tornou argentino por naturalização espera dez. Essa diferença de oito anos vem de uma única linha do Código Civil espanhol e, para famílias que falam russo e têm passaporte argentino, brasileiro ou paraguaio, importa mais que qualquer propaganda de segundo passaporte.

Um passaporte do Mercosul abre muitas portas, de fato. Pelo acordo de residência, um cidadão argentino pode se mudar para o Brasil, o Uruguai, o Chile ou a Colômbia sem empregador, sem investimento e sem cota: bastam o passaporte, uma ficha criminal limpa e uma taxa. A Argentina cobra dos vizinhos cerca de US$ 35 por essa autorização, e o Uruguai concede a residência permanente de cara. Mas o acordo tem uma ressalva que raramente aparece nos folhetos: o cidadão naturalizado só ganha esses direitos cinco anos depois da emissão do passaporte.

A seguir, o que um passaporte argentino, brasileiro, paraguaio, uruguaio ou boliviano oferece em 2026: onde dá para morar com ele, quão rápido sai a próxima cidadania, para onde dá para viajar sem visto e quais vantagens são reservadas aos cidadãos natos. Os valores em dólares usam os câmbios oficiais dos bancos centrais em 2026: US$ 1 = 1.520 pesos argentinos = 5.874 guaranis = R$ 5,22 = 40,3 pesos uruguaios; 1 euro = US$ 1,12.

O que é o Mercosul e o acordo de residência do Mercosul, em palavras simples

O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é o bloco econômico da América do Sul. Os membros plenos são Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e, desde julho de 2024, a Bolívia (Lei boliviana 1567 de 4 de julho de 2024). A Venezuela está suspensa por tempo indeterminado desde 5 de agosto de 2017. Chile, Peru, Colômbia e Equador são Estados associados: participam de alguns tratados, mas não da união aduaneira.

Para quem planeja uma mudança, um documento importa: o Acordo sobre Residência para nacionais dos Estados do Mercosul, Bolívia e Chile. Ele foi assinado em Brasília em 6 de dezembro de 2002 e entrou em vigor em 28 de julho de 2009 para Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile; Peru, Colômbia e Equador aderiram depois. A Argentina o ratificou pela Lei 25.902.

A lógica é simples: a cidadania substitui qualquer outra base para a autorização de residência. Não é preciso contrato de trabalho, investimento nem aposentadoria de antemão. O que o acordo dá:

  • Residência temporária por 2 anos (artigo 4). Você precisa de passaporte, certidões de nascimento e de estado civil, certidões de antecedentes criminais dos últimos 5 anos e uma taxa.
  • Residência permanente (artigo 5). O pedido é feito nos últimos 90 dias do status temporário, com prova de meios de vida lícitos.
  • Igualdade de direitos (artigo 9). Direitos civis, sociais e trabalhistas iguais aos dos locais, reunificação familiar e livre transferência de dinheiro para o país de origem.

A ressalva principal está no artigo 2. O acordo considera nacional quem tem a cidadania de nascimento, ou o cidadão naturalizado que a tem há pelo menos 5 anos. A Argentina diz isso com todas as letras na sua página de serviço: um brasileiro, paraguaio, uruguaio, boliviano, chileno, colombiano, equatoriano ou peruano naturalizado só pode pedir a residência do Mercosul se obteve o passaporte há 5 anos ou mais. Os outros países não repetem a regra nos seus sites, mas o tratado é o mesmo para todos.

Daí a primeira conclusão prática. Se você é russo ou ucraniano e se naturalizou paraguaio ou brasileiro em 2025, os países vizinhos não vão se abrir para você pelo Mercosul antes de 2030. Até lá, o passaporte é um documento de viagem e uma base para morar no país que o emitiu.

Onde dá para morar com um passaporte do Mercosul e quanto custa a residência?

A Argentina é a porta de entrada mais barata, o Uruguai o caminho mais rápido para o status permanente e o Paraguai o mais caro. A Argentina e o Uruguai aceitam cidadãos de todos os Estados membros e associados, além de Venezuela, Guiana e Suriname. O Chile só aceita cidadãos de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Um resumo com base nas páginas oficiais dos órgãos de migração:

País e órgãoDocumentos e pedidoTaxaPrazo de análiseCaminho para a residência permanente
Argentina, DNMPassaporte, antecedentes criminais, comprovante de endereço e de renda; pela internet, depois presencialcerca de US$ 35Sem prazo oficialAutorização temporária por até 2 anos, renovável, depois permanente
Brasil, Polícia FederalDocumentos do artigo 4 do acordo; atendimento agendado num posto da políciacerca de US$ 75Sem prazo oficial2 anos, depois residência por prazo indeterminado
Paraguai, DNMAntecedentes criminais, inclusive um paraguaio, certidão de nascimento; só presencialcerca de US$ 400; autorização permanente cerca de US$ 500Sem prazo oficial2 anos sem renovação, depois permanente
Uruguai, DNMDocumento de identidade, antecedentes criminais, certificado de vacinação; pela internet ou presencialcerca de US$ 95; gratuita para cidadãos do Brasil e do Paraguai30 dias pela Lei 19.254Residência permanente desde o primeiro dia
Chile, SERMIGPassaporte, antecedentes criminais, foto; só pela internet e do exteriorUS$ 65-288 conforme a nacionalidade; gratuita para bolivianosSem prazo oficialAté 2 anos; autorização permanente cerca de US$ 150
Colômbia, Ministério das Relações ExterioresCarta sobre o propósito e os meios, passaporte, antecedentes criminais; pela internetNão informada na página oficialSem prazo oficialVisto M por 2 anos, concedido uma vez, depois visto de residente R
Peru, MigraçõesPela internet, pela agência digitalcerca de US$ 50Sem prazo oficial1 ano com uma renovação, 2 anos no total, depois permanente
Equador, Ministério das Relações ExterioresSó pela internet, no sistema eletrônico de vistosUS$ 250; 50% de desconto a partir dos 65 anosSem prazo oficial2 anos, uma renovação, depois permanente
Bolívia, DIGEMIGPresencialNenhuma tabela oficial de taxas encontradaSem prazo oficial2 anos, depois permanente

Os órgãos: DNM, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, são as direções nacionais de migração; SERMIG é o Serviço Nacional de Migrações do Chile; Migrações é a Superintendência Nacional de Migrações do Peru; DIGEMIG é a Direção-Geral de Migração da Bolívia. No Brasil, a imigração fica com a Polícia Federal.

Duas unidades das tabelas de taxas. A Argentina cobra os serviços em unidades de serviços migratórios, fixadas pelo Decreto 584/2024: a residência do Mercosul custa 50 unidades, cerca de US$ 35, e a residência para outros estrangeiros 100 unidades, cerca de US$ 70. O Uruguai usa a UI, a unidade indexada à inflação: a taxa de residência é de 557,30 UI, cerca de US$ 95.

Quase ninguém publica prazos de análise, exceto o Uruguai. Qualquer promessa de conseguir a residência do Mercosul em uma semana merece ser conferida duas vezes.

Como obter a residência do Mercosul na prática? País por país

O tratado é o mesmo em todo lugar, mas cada país tem a sua fila, o seu portal e a sua papelada extra.

Argentina: pedido pela internet e atendimento na Migrações

O pedido é feito pelo RaDEx, o sistema de pedidos a distância para estrangeiros, no site da DNM. Você precisa de passaporte, uma certidão argentina de antecedentes do Registro Nacional de Reincidência, certidões de qualquer país onde tenha morado mais de um ano nos últimos 3 anos, e comprovante de endereço e de renda. A taxa de cerca de US$ 35 é paga pela internet, e depois chega o convite para um atendimento presencial. O resultado é uma autorização temporária por até 2 anos, renovável, e um DNI, a carteira nacional de identidade, de estrangeiro.

O Decreto DNU 366/2025 de 29 de maio de 2025 endureceu as regras: a residência permanente agora exige prova de meios de sustento e ausência de antecedentes criminais impeditivos, e na entrada você declara o motivo da viagem e tem seguro de saúde, embora a regra do seguro ainda aguarde regulamentação. Quais certidões são pedidas na prática está no nosso guia de documentos para viver na Argentina.

Brasil: a Polícia Federal e a carteira CRNM

Os requerentes marcam um atendimento na Polícia Federal, levam os documentos listados no artigo 4 do acordo e pagam duas taxas: cerca de US$ 35 pelo processamento e cerca de US$ 40 pela Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM). Os uruguaios pagam só a carteira, pelo Decreto 9.089 de 2017. A residência temporária é concedida por 2 anos e depois convertida em residência por prazo indeterminado. Para o dia a dia, também são necessários o CPF e uma conta bancária.

Uruguai: residência permanente de cara

O Uruguai pula a etapa temporária pela qual os requerentes passam na Argentina, no Brasil, no Paraguai, no Chile e no Peru: a Lei 19.254 de 2014 concede aos cidadãos do Mercosul e dos Estados associados a residência legal permanente desde o início. Dá para pedir pela internet no gub.uy ou presencialmente, com horário marcado, na DNM. O processo é curto: documento de identidade, foto, antecedentes criminais dos últimos 5 anos de residência e um certificado de vacinação segundo o Decreto 136/2018.

A taxa é de 557,30 UI, cerca de US$ 95, e os cidadãos do Brasil e do Paraguai são isentos por reciprocidade. Se você precisar viajar enquanto o pedido está em análise, uma autorização de reingresso custa 225,60 UI, cerca de US$ 40. A residência permanente inicia a contagem até a cidadania, tratada na nossa análise de todos os caminhos para a cidadania uruguaia.

Paraguai: caro, presencial e implacável

A DNM do Paraguai só aceita documentos presencialmente. Além dos antecedentes criminais do país de origem, você precisa de uma certidão da polícia paraguaia, uma certidão de nascimento apostilada, um documento de estado civil e prova de entrada. A autorização temporária do Mercosul dura 2 anos e não pode ser renovada. A residência permanente é pedida nos últimos 90 dias; se a carteira vencer, o caminho do Mercosul se perde e é preciso recomeçar pela lei geral de migração 6984/22. A residência permanente exige prova de solvência financeira e vem com uma carteira de identidade válida por 10 anos. As categorias gerais estão na nossa página residência no Paraguai.

Chile: só do exterior, e só para cinco nacionalidades

O Chile aplica o acordo de forma mais restrita que os vizinhos. O SERMIG só aceita pedidos do Mercosul de cidadãos de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, e só pela internet, de fora do Chile. Você precisa de um passaporte válido por pelo menos mais um ano, uma certidão de antecedentes criminais e uma foto. A taxa é fixada em dólares pela Resolução 129194 de 2020 e paga em pesos chilenos: argentinos pagam US$ 250, paraguaios 288, brasileiros 100 e uruguaios 65, enquanto os bolivianos são isentos. A autorização é concedida por até 2 anos e inclui o direito de trabalhar. Impostos, preços e vida diária estão no nosso texto sobre mudança para o Chile.

Colômbia: um visto M que só se obtém uma vez

A Colômbia não concede uma autorização de residência, e sim um visto da categoria M (migrante) pelo Mercosul. O pedido é feito pela internet ao Ministério das Relações Exteriores, com uma carta explicando o que você vai fazer na Colômbia e como vai se sustentar, um passaporte válido por pelo menos 6 meses, antecedentes criminais dos últimos 3 anos com apostila e tradução e uma cópia digitalizada do carimbo de entrada. O visto vale por 2 anos, traz autorização ampla de trabalho e é concedido uma única vez na vida; cônjuge e filhos menores de 25 anos podem ser incluídos. Depois de 2 anos com ele, dá para pedir o visto de residente R, e só o visto R inicia a contagem até a cidadania.

Peru, Equador e Bolívia

A Migrações do Peru aceita cidadãos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Bolívia, Paraguai e Uruguai pela sua agência digital. A autorização é concedida por 365 dias e pode ser renovada uma vez pelo mesmo prazo, e depois disso dá para pedir a residência permanente. Quem pensa num passaporte peruano deve conhecer a Lei 32421, tratada no nosso artigo sobre a cidadania peruana.

O Equador concede o visto do Mercosul só pela internet, no sistema eletrônico de vistos, por US$ 250; ele dura 2 anos e pode ser renovado uma vez. Alterações de 24 de outubro de 2025 acrescentaram uma regra que vale lembrar: a residência permanente se perde depois de mais de 2 anos de ausência contínua. O caminho até o passaporte está no nosso artigo sobre a cidadania equatoriana. A DIGEMIG da Bolívia recebe pedidos presencialmente e concede uma autorização de 2 anos que pode ser convertida em residência permanente.

Quantos anos até a cidadania nos países vizinhos?

A residência do Mercosul não entrega um passaporte, mas inicia a contagem da naturalização. No papel, a Argentina e, por enquanto, o Peru são os mais rápidos, com 2 anos, com a pegadinha argentina de que você não pode sair do país nem uma vez. As esperas mais longas são de 5 anos, no Chile, na Colômbia e, para quem está sozinho, no Uruguai. A comparação pela lei de 2026:

PaísPrazo padrãoPrazo reduzidoIdioma e provasO que saber
Argentina2 anos de residência legal contínua sem viagens ao exteriorNenhumSem provaA partir de 6 de outubro de 2025 a DNM recebia os pedidos, mas em 30 de junho de 2026 a Câmara Nacional Eleitoral devolveu os casos aos juízes federais
Brasil4 anos (Lei 13.445, artigo 65)A partir de 1 ano com cônjuge ou filho brasileiro (artigo 66)Português: o exame Celpe-Bras no nível intermediário ou equivalenteDesde a Emenda Constitucional 131/2023, a cidadania brasileira não se perde ao adquirir outra
Paraguai3 anos a partir da decisão de residência permanente (Constituição, artigo 148)NenhumSem prova na Constituição; a Suprema Corte decideO cidadão naturalizado perde o passaporte ao adquirir outra cidadania (artigo 150)
Uruguai5 anos sem família, 3 anos com família (Constituição, artigo 75)NenhumSem prova; exige testemunhasConcede a cidadania legal, não a nacionalidade
Chile5 anos de residência contínua2 anos para cônjuges de chilenos ou parentes até o segundo grau (Lei 21.325, artigo 85)Sem dados nas fontes oficiaisPedido pela internet ao SERMIG
Colômbia5 anos com visto de residente R (Lei 2332/2023, artigo 9)2 anos com casamento, união, filhos colombianos ou reciprocidade com o país de origemProvas sobre a Constituição, história, cultura e geografia, até duas tentativasNão é preciso renunciar à cidadania anterior (artigo 28)
Peru2 anos (Lei 26574)NenhumProva de história e culturaA Lei 32421 vai elevar para 5 anos quando for regulamentada
Equador3 anos com residência permanente (Lei Orgânica de Mobilidade Humana, artigo 71)2 anos com casamento ou união civil (artigo 73)Espanhol e conhecimento do país (artigo 72)A lei limita a decisão por casamento a 90 dias
BolíviaMais de 3 anos (Constituição, artigo 142)2 anos com cônjuge ou filhos bolivianosSem dadosO presidente assina

Argentina. O Decreto DNU 366/2025 exigiu 2 anos de residência legal sem nenhuma viagem ao exterior e passou a naturalização dos tribunais para a DNM. A partir de 6 de outubro de 2025, os pedidos eram feitos pela internet, com DNI, certidão de antecedentes criminais, prova de trabalho ou renda e o número fiscal (CUIT) ou trabalhista (CUIL). Em meados de 2026, os tribunais contestaram essa transferência; detalhes abaixo.

Paraguai. Os 3 anos correm a partir da data da decisão de residência permanente, seguidos da Suprema Corte e de um juramento. A taxa judicial é simbólica, cerca de US$ 10, e o processo costuma levar 12-24 meses. O preço real é o artigo 150 da Constituição, tratado abaixo.

Uruguai. A carta de cidadania é emitida pela Corte Eleitoral. Segundo o ministro da Corte Eleitoral José Garchitorena, os pedidos subiram em 10 anos de cerca de 500 por ano para mais de 2.000, e as pessoas esperam até um ano por um horário para entregar o pedido. A partir de 23 de abril de 2025, o Uruguai emitiu aos cidadãos legais passaportes com o campo combinado “Nacionalidade/Cidadania”, o código URY e sem local de nascimento, mas depois das objeções da Alemanha, da França e do Japão voltou ao modelo anterior em 1º de agosto de 2025. A questão constitucional sobre o status desses cidadãos continua em aberto.

Cidadania espanhola em 2 anos: quem tem direito e quem não tem

A vantagem mais valiosa de um passaporte latino-americano é a espanhola. O artigo 22.1 do Código Civil espanhol reduz os 10 anos normais de residência para 2 para os nacionais de origem dos países latino-americanos, de Andorra, das Filipinas, da Guiné Equatorial e de Portugal, além dos judeus sefarditas. As palavras-chave são “de origem”. Um argentino, brasileiro ou paraguaio naturalizado não tem direito e espera os 10 anos normais.

A residência tem que ser legal, contínua e imediatamente anterior ao pedido (artigo 22.3). Um turista com carimbo de 90 dias não acumula nada. É preciso uma autorização de residência, e nem toda autorização conta:

  • Visto de trabalho remoto. Renda de pelo menos 200% do salário mínimo interprofissional espanhol, cerca de 2.849 euros por mês em 2026, uns US$ 3.250 (o próprio salário mínimo é de 1.221 euros por mês, pago 14 vezes por ano, pelo Real Decreto 126/2026). O tempo conta.
  • Enraizamento: variantes social, trabalhista, de formação e de segunda oportunidade. Pelo regulamento do Real Decreto 1155/2024 (em vigor desde 20 de maio de 2025), exige 2 anos morando na Espanha.
  • Estudo. Pela jurisprudência consolidada, é uma estada, não uma residência, e não conta.
PassoO que é precisoCustoPrazo
Autorização de residência e 2 anos na EspanhaStatus legal e contínuo e uma vida real na EspanhaTaxas do visto e do cartão TIE de estrangeiro, custo de vida2 anos para cidadãos de origem, 10 anos para naturalizados
Prova CCSETeste sobre a Constituição e a cultura espanholas, aplicado pelo Instituto Cervantescerca de US$ 100, duas tentativasPelo calendário do Instituto Cervantes
Prova DELE A2Espanhol no nível A2; cidadãos de países onde o espanhol é oficial estão isentoscerca de US$ 160; brasileiros precisam fazerPelo calendário do Instituto Cervantes
PedidoPela internet ao Ministério da Justiça: certidão de nascimento e antecedentes criminais apostilados, passaporte, TIETaxa do formulário 790-026: cerca de US$ 1201 ano por lei
Decisão e juramentoDecisão da Direção-Geral de Segurança Jurídica e Fé Pública (DGSJFP), depois juramento no registro civilParte do procedimentoNa prática, 18-24 meses para toda a etapa

Exemplo de cálculo para um argentino nato: a taxa de cerca de US$ 120 mais cerca de US$ 100 pela CCSE dão cerca de US$ 220, mais traduções e apostilas. Um brasileiro nato também precisa do DELE A2, o que eleva as taxas para cerca de US$ 380.

O acúmulo de processos é o problema real. Segundo as estatísticas oficiais do Ministério da Justiça, 251.223 processos ainda estavam pendentes em 30 de junho de 2026. A lei trata mais de um ano de silêncio como recusa, e alguns requerentes vão à Justiça.

Dupla cidadania. O artigo 23.b exige renunciar ao passaporte anterior, mas isenta os naturais dos países latino-americanos. A Espanha tem tratados de dupla nacionalidade com Chile, Peru, Paraguai, Bolívia, Equador, Argentina e Colômbia; não há com o Brasil nem com o Uruguai, mas o próprio Código isenta os cidadãos de origem. Como a palavra “naturais” se aplica aos naturalizados ainda não foi definido com clareza pela DGSJFP. E um paraguaio naturalizado que obtém o passaporte espanhol depois de 10 anos perde o paraguaio pelo artigo 150 da Constituição do Paraguai.

A Lei de Memória Democrática, conhecida como lei dos netos, ofereceu a cidadania aos descendentes de emigrantes sem precisar se mudar, mas a janela fechou em 22 de outubro de 2025. A Argentina foi o país com mais requerentes: segundo o governo espanhol, 366.579 pedidos tinham sido feitos lá até o fim de julho de 2025, cerca de 40% do total, e 174.277 pessoas tinham recebido a cidadania. Outros caminhos estão na nossa página cidadania espanhola por nascimento e descendência, e o lado fiscal no nosso guia de impostos na Espanha.

Vamos verificar se você se qualifica

Três perguntas no chat mostram qual opção serve para você.

Verificar no chat

Portugal e Itália: o que mudou para os latino-americanos

Até 19 de maio de 2026, Portugal concedia a cidadania depois de 5 anos de residência a qualquer estrangeiro. Agora um brasileiro precisa de 7 anos, e um argentino, paraguaio ou uruguaio de 10. No mesmo período, a Itália fechou o caminho em massa da cidadania por descendência que argentinos e brasileiros usaram por décadas.

Portugal: 7 anos para brasileiros, 10 para os demais

O Tribunal Constitucional primeiro derrubou partes da reforma da nacionalidade (acórdão 1133/2025 de 15 de dezembro de 2025); depois de um veto presidencial, o parlamento aprovou um texto revisto em 1º de abril de 2026, publicado em 18 de maio de 2026 como Lei Orgânica 1/2026. Os requisitos agora:

  • 7 anos de residência legal para cidadãos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que inclui o Brasil) e da UE, 10 anos para os demais;
  • uma prova de língua, cultura e história portuguesas, um juramento, a capacidade de se sustentar e nenhuma pena de prisão de mais de 3 anos por crimes graves;
  • os períodos de residência podem ser somados dentro de uma janela de 9 anos para cidadãos da CPLP e da UE ou de 12 anos para os demais, e o tempo de espera pela autorização de residência não conta mais.

Os pedidos feitos antes de 19 de maio de 2026 são tratados pela lei antiga. O acúmulo é enorme: o sindicato dos trabalhadores dos registros falou em 600.000 processos em 29 de abril de 2026. Os brasileiros têm um trunfo próprio, o Estatuto de Igualdade pelo Tratado de Porto Seguro de 2000, que dá aos residentes direitos iguais aos dos cidadãos portugueses. Mas a Lei 61/2025 limitou as autorizações de residência da CPLP a quem entrou com visto de residência. Por que as ações contra o órgão de imigração de Portugal avançam nos tribunais está no nosso texto sobre a AIMA e os tribunais.

Itália: o sangue não garante mais o passaporte

O Decreto-Lei 36/2025 de 28 de março de 2025, convertido na Lei 74/2025 (em vigor desde 24 de maio de 2025), acabou com o reconhecimento automático para quem nasceu no exterior e tem outra cidadania. As exceções: um pedido feito ou um agendamento consular marcado antes das 23:59 de 27 de março de 2025, um pai, mãe, avô ou avó que tinha só a cidadania italiana, ou um pai ou mãe que morou 2 anos seguidos na Itália depois de se tornar cidadão e antes do nascimento do filho. O Tribunal Constitucional da Itália manteve a reforma na sentença 63/2026, publicada em 30 de abril de 2026.

O tamanho da perda aparece nos números do Instituto Nacional de Estatística da Itália (ISTAT): em 2024, 113.221 cidadãos por descendência foram reconhecidos no exterior, 60,8% deles no Brasil e 22,3% na Argentina.

O que resta. Um filho ou neto de um cidadão italiano de nascimento pode se naturalizar depois de 2 anos de residência legal na Itália (artigo 9.1.a, antes eram 3 anos); os demais cidadãos de fora da UE precisam de 10 anos. A análise leva até 24 meses, prorrogáveis para 36, e é exigido conhecimento de italiano. Como montar os documentos dos antepassados está na nossa seção sobre cidadania italiana por descendência.

País da UECidadão nato do MercosulCidadão naturalizado do MercosulRenúncia ao passaporte anterior
Espanha2 anos10 anosNão exigida para cidadãos de origem
Portugal7 anos para brasileiros, 10 anos para os demais7 anos para brasileiros, 10 para os demais; a lei não tem cláusula de origemNão exigida
Itália10 anos; 2 anos para descendentes de cidadãos italianos de nascimentoO mesmoNão exigida

México, Colômbia, Costa Rica e Panamá: onde mais o caminho é mais curto?

Fora da Europa, as vantagens para latino-americanos sobrevivem no México, na Costa Rica e no Panamá, mas quase sempre dependem da origem. A Colômbia acabou com a sua vantagem de vez em 2023.

PaísPrazo padrãoVantagem para latino-americanosQuem tem direitoCidadãos naturalizados
México5 anos (Lei de Nacionalidade, artigo 20)2 anosUm originário, ou seja, natural de um país latino-americano ou da Península IbéricaSem orientação oficial sobre como “originário” é interpretado
Colômbia5 anos com visto de residente RA vantagem de 1 ano foi abolida pela Lei 2332 de 25 de setembro de 20232 anos quando o país de origem oferece reciprocidade; nenhuma lista publicadaIncerto
Costa Rica7 anos5 anos (Constituição, artigo 14)Centro-americanos, espanhóis e ibero-americanos de nascimento7 anos
Panamá5 anosCom base na reciprocidade (Constituição, artigo 10.3)Cidadãos de nascimento da Espanha e de países latino-americanosA vantagem não se aplica

México. A Lei de Nacionalidade reduz 5 anos para 2 para os naturais da América Latina e da Península Ibérica, descendentes de mexicanos de nascimento e pais de filhos mexicanos. É preciso mostrar espanhol, conhecimento de história e integração cultural e, depois de aprovada a cidadania, renunciar formalmente à nacionalidade anterior (artigos 17 e 19). A taxa da carta de naturalização em 2026 é de cerca de US$ 530 (Lei Federal de Direitos, artigo 26). Mais na nossa página cidadania mexicana.

Colômbia. A antiga Lei 43/1993 permitia que latino-americanos de nascimento se tornassem colombianos depois de um ano no país. A Lei 2332 de 25 de setembro de 2023 a revogou. Do lado positivo, a lei colombiana permite expressamente manter o passaporte anterior (artigo 28), e depois de uma recusa só dá para pedir de novo 2 anos depois (artigo 29).

Costa Rica. O artigo 14 da Constituição dá 5 anos aos centro-americanos, espanhóis e ibero-americanos de nascimento, e 7 anos aos ibero-americanos naturalizados e a todos os demais. Todos os caminhos estão no nosso artigo sobre a cidadania costarriquenha.

Panamá. O artigo 10.3 da Constituição abre a naturalização aos cidadãos de nascimento da Espanha e de países latino-americanos com base na reciprocidade. Há também uma autorização de residência simplificada para cidadãos dos chamados países amigos, mas o Panamá muda a lista de países, então confira com o Serviço Nacional de Migração antes do pedido.

Analisamos a sua situação de graça

Descreva o seu caso no chat e dizemos por onde começar.

Analisar a minha situação

Férias com trabalho: para onde um passaporte do Mercosul leva você por um ano?

O visto de férias com trabalho permite que jovens morem e trabalhem num país por um ano sem um empregador patrocinador. Os passaportes argentino e chileno têm mais destinos. O principal limite é a idade: o teto de 30 ou 35 anos exclui muitos naturalizados bem antes das cotas.

PaísPassaportes e cotas anuaisIdadeO que importa
Austrália (subclasse 462)Argentina 3.400, Chile 3.400, Uruguai 1.500, Peru 1.500, Brasil 500, Equador 100Conferir por paísTodas as cotas estão suspensas no momento; o ano do programa abre em 2 de julho, a análise leva cerca de 3 meses
Nova ZelândiaArgentina 1.000, Chile 940, Brasil 300, Uruguai 200, Peru 10018-35 para argentinosTaxa de 770 dólares neozelandeses (cerca de US$ 436), 4.200 dólares neozelandeses (cerca de US$ 2.380) no banco; a cota argentina de 2026 abriu em 24 de setembro de 2026 e já está esgotada
FrançaArgentina 1.200, Brasil 500, Chile 400, Colômbia 400, Equador, México, Peru e Uruguai 300 cada18-30, até 35 para argentinosCotas recíprocas; o Ministério das Relações Exteriores francês as publica para cidadãos franceses
EspanhaSó Argentina, 500 vagas18-35Diploma universitário ou 2 anos de faculdade concluídos; o acordo vale desde 10 de fevereiro de 2023
IrlandaArgentina 200, Chile 200Argentina 18-35, Chile até 30Autorização emitida pelo departamento de Relações Exteriores da Irlanda
Coreia do SulBrasil 300, Argentina 200, Chile 10018-34Cotas da temporada 2026/27
Reino Unido (programa de mobilidade jovem)Só Uruguai, 500 vagas18-30Taxa de cerca de US$ 450 mais a sobretaxa de saúde de cerca de US$ 1.100 por ano
Alemanha, Japão, PortugalAlemanha: Argentina, Chile, Uruguai. Japão e Portugal, segundo fontes secundárias: Argentina, Chile, Uruguai, e Peru para PortugalConferir o acordo específicoAs fontes divergem sobre se o acordo do Brasil com a Alemanha está em vigor

Férias com trabalho são um visto temporário, não um caminho para a residência ou a cidadania. Mas são um jeito legal de passar um ano num país e descobrir se vale a pena se mudar para lá com um visto completo.

Para onde dá para viajar sem visto com passaporte argentino, brasileiro ou paraguaio?

Para quem tem passaporte russo, a diferença é imediata. Em 2026, a Rússia tem 114 destinos sem visto, a Argentina 169, o Brasil 170 e o Paraguai 145. O líder da região é o Chile, com 174. A Espanha e a Itália, para comparação, têm 186.

PassaporteDestinos sem vistoEUAReino UnidoSchengenJapãoChina
Chile174Sem visto (programa de isenção)Autorização eletrônicaSem vistoSem vistoSem visto
Brasil170VistoAutorização eletrônicaSem vistoSem vistoSem visto
Argentina169VistoAutorização eletrônicaSem vistoSem vistoSem visto
Uruguai156VistoAutorização eletrônicaSem vistoSem vistoSem visto
Paraguai145VistoAutorização eletrônicaSem vistoSem vistoVisto
Peru141VistoAutorização eletrônicaSem vistoSem vistoSem visto
Colômbia130VistoVistoSem vistoVistoVisto
Equador92VistoVistoVistoVistoSem visto
Bolívia77VistoVistoVistoVistoVisto

Notas sobre a tabela. A autorização eletrônica do Reino Unido custa cerca de US$ 30 desde 8 de abril de 2026. O programa americano de isenção de visto inclui, na região, só o Chile. Desde 1º de junho de 2025, a China deixa entrar sem visto, de forma unilateral, cidadãos de Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai por 30 dias, regime prorrogado até 31 de dezembro de 2026.

Canadá. Os chilenos viajam com uma autorização eletrônica, enquanto argentinos, brasileiros e uruguaios só têm direito a ela se tiveram um visto canadense nos últimos 10 anos ou têm hoje um visto americano válido.

Os EUA e a Argentina. O Departamento de Segurança Interna dos EUA assinou com a Argentina uma declaração de intenções sobre o programa de isenção de visto em 28 de julho de 2025. A ministra da Segurança da Argentina, Alejandra Monteoliva, falou no início de 2027 como meta, e o embaixador dos EUA Peter Lamelas disse em 16 de setembro de 2026 que o trabalho está em andamento. O obstáculo é a taxa de recusa de vistos: acima de 8% para argentinos em 2024, contra um limite de 3%.

Visto de investidor E-2. Segundo a lista de tratados do Departamento de Estado dos EUA, Argentina, Chile, Colômbia e Paraguai têm tratados com os EUA que dão direito a ele; o da Bolívia só cobre investimentos feitos antes de 10 de junho de 2012, e o Equador tem um período de transição até 18 de maio de 2028. O Brasil e o Uruguai não têm esse tratado.

Europa. Os passaportes do Mercosul (exceto o boliviano e o equatoriano) entram hoje no espaço Schengen sem visto. A autorização eletrônica de viagem europeia não vai ser lançada em 2026, e a UE não anunciou uma nova data; detalhes no nosso texto sobre o adiamento da autorização europeia. O ranking completo e a metodologia estão na nossa análise do ranking de passaportes de 2026.

Receba a lista de documentos

Deixe um contato no chat e enviamos uma lista para a sua situação.

Receber a lista

O que um cidadão naturalizado recebe e o que é reservado aos natos

Esta é a verdade incômoda para quem obteve um passaporte latino-americano depois de se mudar: as vantagens regionais mais valiosas foram escritas para quem nasceu com aquela cidadania. O documento de viagem é idêntico para naturalizados e natos; os direitos nos países vizinhos, não.

OpçãoCidadão natoCidadão naturalizado
Residência pelo acordo do MercosulNa horaSó depois de 5 anos com essa cidadania
Cidadania espanholaDepois de 2 anosDepois de 10 anos, como qualquer estrangeiro
Cidadania costarriquenhaDepois de 5 anosDepois de 7 anos
Vantagens no México, no Panamá, na ColômbiaSim, nas condições de cada paísNão, ou incerto
Portugal depois de 7 anos (para o Brasil)SimA lei não tem cláusula de origem; a prática ainda não se firmou
Viagens sem visto e férias com trabalhoSimSim, é o mesmo passaporte; o limite é a idade, não a forma de obter a cidadania
Manter o passaporte ao adquirir outroMantido nos países do MercosulBrasil: mantido (Emenda Constitucional 131/2023); Paraguai: perdido

O Paraguai é o principal risco. Artigo 150 da Constituição do Paraguai: o cidadão naturalizado perde a cidadania paraguaia ao adquirir outra de forma voluntária ou ao morar no exterior por mais de 3 anos sem justa causa, e um tribunal decide sobre a perda. Para quem fala russo e tem passaporte paraguaio, isso significa uma regra simples: obter um passaporte espanhol, português ou qualquer outro coloca o paraguaio em risco. Desde maio de 2026, a Câmara dos Deputados discute um projeto para regulamentar em detalhe os artigos 148 e 150, mas a comissão ainda não deu parecer. Mais sobre os riscos no nosso artigo sobre dupla cidadania em 2026.

Argentina: uma briga sobre quem concede o passaporte. Em 18 de junho de 2026, a Sala III da Câmara de Apelações no Civil e Comercial Federal, no caso de Yana Volosh, declarou inconstitucional a transferência da naturalização dos tribunais para a DNM; essa decisão vale só para a requerente. Em 30 de junho de 2026, a Câmara Nacional Eleitoral, no caso de Liping Yang, declarou inválidas essas disposições do Decreto 366/2025, mandou notificar a DNM e enviou a decisão a todos os juízes federais com competência eleitoral: os casos de cidadania voltaram aos tribunais. O governo recorreu à Suprema Corte em julho de 2026. Até a Suprema Corte resolver a disputa, confira onde fazer o pedido, no tribunal ou na DNM, antes de começar.

Impostos e previdência na mudança dentro do Mercosul

As taxas de residência do Mercosul chegam a dezenas ou centenas de dólares; um erro na residência fiscal custa mais que qualquer uma delas.

PaísQuando você se torna residente fiscalQuando deixa de ser
ArgentinaCom a residência permanente, ou depois de 12 meses com autorização temporária (Lei do Imposto de Renda, artigo 116)Ao obter residência permanente em outro país ou depois de 12 meses no exterior (artigo 117)
BrasilCom visto permanente, desde a data da entrada; com um temporário, depois de 184 dias em 12 meses (IN SRF 208/2002)Pelas regras de saída, com a entrega da declaração de saída
UruguaiMais de 183 dias num ano civil, ou o centro de interesses vitais no país (Decreto 148/007)Quando nenhuma das condições é cumprida
ParaguaiA Receita, a DNIT, pela Resolução RG 65/2020, pede um registro de entradas e saídas, mas não fixa um limite numéricoO limite de 120 dias, muito citado, vem do artigo 152 da Lei 125/91: é uma presunção de domicílio fiscal (endereço), não uma regra de residência fiscal

A conclusão prática: mudar da Argentina para o Uruguai com a residência do Mercosul pode tornar você residente fiscal uruguaio e levar para lá as suas obrigações de declaração, enquanto, pelo artigo 117, a Argentina só deixa de considerá-lo residente quando você obtém residência permanente em outro lugar ou passa 12 meses no exterior. Alíquotas e regimes estão à parte: impostos na Argentina, impostos no Brasil e impostos no Paraguai.

Troca de dados bancários. As Receitas da região trocam automaticamente informações sobre as contas bancárias de estrangeiros pelo padrão internacional de troca automática de informações da OCDE: Argentina e Colômbia desde 2017, Brasil, Chile e Uruguai desde 2018, Peru desde 2020 e Equador desde 2021. O Paraguai responde a pedidos de Receitas estrangeiras pelo Fórum Global sobre Transparência da OCDE e se comprometeu a começar a troca automática até 2028; a Bolívia não está na lista de compromissos da OCDE. Mudar com a residência do Mercosul não muda a regra básica: contas e rendas no exterior têm que ser declaradas pelas leis do país onde você é residente fiscal.

Tempo de contribuição. O Acordo Multilateral de Seguridade Social do Mercosul (assinado em 14 de dezembro de 1997, em vigor desde 1º de junho de 2005) vale entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Ele soma as contribuições feitas nesses países e permite que trabalhadores deslocados continuem contribuindo no país de origem por um período. A Bolívia não está na lista de partes publicada pela ANSES, o órgão de previdência social da Argentina.

Universidades. O Decreto DNU 366/2025 permitiu que as universidades públicas argentinas cobrem de estrangeiros sem residência permanente, e o governo confirmou isso em julho de 2026. O ensino continua gratuito para cidadãos, inclusive naturalizados, e para residentes permanentes.

As armadilhas que os folhetos não contam

  • A regra dos 5 anos. Um passaporte recém-obtido por naturalização não abre a residência do Mercosul no país vizinho.
  • A janela de 90 dias. No Paraguai, a autorização temporária do Mercosul não pode ser renovada e, pelo artigo 5 do acordo, a residência permanente é pedida nos últimos 90 dias. Perder esse prazo significa voltar para a lei geral de migração 6984/22.
  • O visto M único da Colômbia e o pedido do exterior no Chile. O primeiro é concedido uma vez na vida; o segundo não pode ser pedido enquanto você está no Chile como turista.
  • A proibição de viajar da Argentina. Pelo Decreto 366/2025, a naturalização exige 2 anos sem nenhuma viagem ao exterior.
  • Portugal não conta mais a espera. O tempo em que a AIMA, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo, analisava a sua autorização de residência não conta mais para a cidadania.
  • O Peru está mudando as regras. Quando for regulamentada, a Lei 32421 vai elevar o prazo de naturalização de 2 para 5 anos e acrescentar um limite de renda de 10 unidades tributárias (UIT); em 2026, isso dá 55.000 soles, cerca de US$ 16.000 por ano.

E, acima de tudo: a cidadania na região é concedida a quem mora de fato no país, com endereço, renda e impostos. A residência só no papel desmorona na etapa da naturalização, quando um tribunal ou o órgão de migração cruza as suas saídas e declarações de imposto.

Três caminhos típicos para um leitor que fala russo

São exemplos, não receitas: cada caso depende da cidadania, da família, da renda e de onde a pessoa realmente mora.

Exemplo 1. Um russo se naturalizou argentino em 2025. A residência do Mercosul no Brasil, no Uruguai ou no Chile só se abre em 2030, e a Espanha depois de 10 anos morando lá, não 2. O que funciona na hora: viagens sem visto ao espaço Schengen, ao Japão e à China, uma autorização eletrônica em vez de visto para o Reino Unido e férias com trabalho, se a idade permitir. Para se mudar para um país vizinho antes de 2030, ele precisa de uma autorização de residência comum, por trabalho, estudo ou renda.

Exemplo 2. Uma criança nascida na Argentina ou no Brasil, filha de pais que falam russo. A criança é cidadã nata e recebe o pacote completo: residência do Mercosul sem a espera de 5 anos e, mais adiante, um passaporte espanhol depois de 2 anos na Espanha. Os pais seguem o caminho da naturalização, com todos os limites acima. Detalhes nos nossos guias sobre parto na Argentina e parto no Brasil.

Exemplo 3. Um paraguaio naturalizado quer um passaporte da UE. O passaporte espanhol só está disponível depois de 10 anos na Espanha, e obtê-lo colocaria o paraguaio em risco. A decisão aqui é estratégica: qual passaporte importa mais, e se um segundo é mesmo necessário quando o paraguaio já cobre as suas viagens.

Os nossos serviços: cidadania e residência no Mercosul e na Europa

Ajudamos a traçar o caminho da primeira autorização de residência até o passaporte e a calcular de antemão onde uma vantagem se aplica e onde não. A representação legal perante órgãos de migração e tribunais fica com os nossos parceiros, advogados licenciados no país.

Além disso, os passos em que as pessoas mais perdem meses: apostilas e traduções juramentadas (traduções e legalização), uma revisão do processo antes do pedido (apoio jurídico) e um plano de mudança que inclui os impostos (mudança).

Analisamos a sua situação de graça. Conte qual cidadania você e os seus filhos têm, quando e como foi obtida e onde vocês moram hoje. Vamos dizer quais vantagens do Mercosul e da Europa estão realmente abertas para você, quais estão fechadas e quanto tempo cada uma leva pela lei.

Fale com um consultor agora

Perguntas frequentes

O que é o acordo de residência do Mercosul?
Um tratado de 2002 entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile, ao qual depois aderiram Peru, Colômbia e Equador. Ele dá aos seus cidadãos uma autorização de residência temporária de 2 anos sem empregador nem investimento, só com o passaporte e uma ficha criminal limpa, seguida da residência permanente com prova de meios lícitos. Os cidadãos naturalizados podem usá-lo depois de ter a cidadania há pelo menos 5 anos.
Quais são os direitos de residência do Mercosul?
Pelo artigo 9 do acordo, os residentes têm direitos civis, sociais e trabalhistas iguais aos dos cidadãos locais, inclusive o direito de trabalhar, a reunificação familiar e a livre transferência de dinheiro para o país de origem. Depois de 2 anos de residência temporária, podem pedir a residência permanente mostrando meios de sustento lícitos.
Quanto custa a residência do Mercosul?
Depende do país: cerca de US$ 35 na Argentina, cerca de US$ 75 no Brasil, cerca de US$ 95 no Uruguai, US$ 250 no Equador, e cerca de US$ 400 pela autorização temporária no Paraguai mais cerca de US$ 500 pela residência permanente. No Chile, a taxa depende do passaporte, de US$ 65 para uruguaios a US$ 288 para paraguaios.
Quais são as vantagens de um passaporte argentino?
Acesso sem visto a 169 destinos, inclusive o espaço Schengen, o Japão e a China, e uma autorização eletrônica em vez de visto para o Reino Unido. Os argentinos natos também têm a residência do Mercosul nos países vizinhos e a cidadania espanhola depois de 2 anos na Espanha. Os argentinos naturalizados esperam 5 anos pela residência do Mercosul e 10 anos pela Espanha.
Um argentino pode obter a cidadania espanhola em 2 anos?
Só um argentino de origem: o artigo 22.1 do Código Civil espanhol dá 2 anos aos nacionais de origem dos países latino-americanos. É preciso 2 anos de residência legal e contínua com autorização, a prova CCSE por cerca de US$ 100 e uma taxa de cerca de US$ 120. Um argentino naturalizado pede depois dos 10 anos normais.
Dá para morar no Brasil ou no Uruguai com passaporte argentino?
Sim. O Brasil concede uma autorização temporária do Mercosul de 2 anos por cerca de US$ 75, e depois residência por prazo indeterminado. O Uruguai concede a residência permanente de cara por cerca de US$ 95, e a lei fixa um prazo de 30 dias para a decisão. Se o seu passaporte argentino veio por naturalização, você só pode pedir 5 anos depois da emissão.
Os argentinos precisam de visto para os Estados Unidos?
Sim. O Chile é o único país da região no programa americano de isenção de visto. Os EUA e a Argentina assinaram uma declaração de intenções sobre o programa em 28 de julho de 2025, e a ministra da Segurança da Argentina falou no início de 2027 como meta, mas a taxa de recusa de vistos é o obstáculo: acima de 8% para argentinos em 2024, contra um limite de 3%.
Um paraguaio naturalizado pode ter dupla cidadania?
É arriscado. Pelo artigo 150 da Constituição do Paraguai, o cidadão naturalizado perde a cidadania paraguaia ao adquirir outra de forma voluntária ou ao morar no exterior por mais de 3 anos sem justa causa, com decisão judicial sobre a perda. Os paraguaios natos não são afetados por essa regra. Um projeto para regulamentar o artigo está em discussão na Câmara dos Deputados desde maio de 2026.

Não quer resolver isso sozinho?

Cuidamos de todo o processo, do início ao fim: conferimos seus documentos, escolhemos o programa certo para a sua situação e damos prazos e custos realistas. Faça sua pergunta no chat: a consultoria gratuita começa aqui mesmo. A representação jurídica perante órgãos públicos e tribunais fica com os especialistas da Murblz, junto com parceiros com licença local.

O consultor da Murblz responde na hora, no chat desta página. Conte sua situação e a gente resolve junto.

Consultoria gratuita

Ou fale conosco no Telegram →

GrátisConfidencialResposta na hora
Consultoria gratuita