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Limite de alunos estrangeiros por turma na Itália: o que o governo anunciou e o que muda para as famílias

10 min de leitura · ·

Em 20 de setembro, a primeira-ministra da Itália prometeu um limite legal de alunos estrangeiros, a proibição da burca e do nicabe nas escolas e italiano obrigatório para alguns pais. É um anúncio, ainda não uma lei. Veja a quem isso afeta se você está se mudando.

Em 20 de setembro de 2026, a primeira-ministra da Itália anunciou três medidas para as escolas num comício em Roma: um limite legal de alunos estrangeiros por turma, a proibição da burca e do nicabe nas escolas e o italiano obrigatório para os pais de crianças com sérias dificuldades de integração. Até 23 de setembro, o ministro da Educação já tinha dado alguns detalhes: um decreto-lei, um limite de 30% e alunos contados pelo nível de italiano, e não pelo passaporte. Atenção ao status: na data da publicação, são declarações políticas, nenhum texto foi publicado e nada virou lei ainda.

O que a primeira-ministra anunciou

Ela falou no domingo, 20 de setembro, no festival da ala jovem do seu partido, e disse que o pacote iria em breve ao Conselho de Ministros, o gabinete do governo italiano. São três partes:

  • Um limite de alunos estrangeiros por turma, fixado em lei. Naquele dia, ela não deu nenhum número.
  • A proibição da burca e do nicabe nas escolas. A frase dela: na escola se vai de rosto descoberto.
  • Italiano obrigatório para os pais de alunos estrangeiros com sérias dificuldades de adaptação à escola.

O argumento dela: quem vem à Itália para construir um futuro precisa aprender a língua, entender a cultura e respeitar as regras. A migração também é um tema central antes das eleições gerais previstas para 2027.

Um limite de 30% existe desde 2010, mas quase nunca foi aplicado

A novidade é a tentativa de tornar o princípio obrigatório. Em 8 de janeiro de 2010, o Ministério da Educação publicou a Circular nº 2: a parcela de alunos sem cidadania italiana numa turma não deveria, em regra, passar de 30%. A regra foi introduzida aos poucos a partir do ano letivo 2010/2011, começando pelas turmas de primeiro ano.

Os diretores dos escritórios escolares regionais podiam subir o limite onde as crianças estrangeiras já falavam italiano (muitas vezes as nascidas na Itália) ou baixá-lo onde o italiano delas era fraco. Na prática, a regra raramente foi aplicada, por falta de coordenação e pelo excesso de exceções.

A escala: conforme a fonte, entre cerca de 860.000 e 930.000 alunos não têm cidadania italiana, cerca de 11% a 12% de todos os alunos, e perto de dois terços deles nasceram na Itália. As parcelas são maiores no norte (Emília-Romanha, Lombardia, Vêneto, Milão, Bolonha), enquanto muitas turmas do sul têm menos de 5%. As turmas com mais de 20% de filhos de migrantes de primeira geração são cerca de 1.000, de aproximadamente 300.000.

Em 23 de setembro, a primeira-ministra respondeu aos críticos lembrando que limites assim já foram discutidos antes, inclusive em circulares de 1989 e 1990, publicadas quando o atual presidente da República era ministro da Educação.

Quem conta como aluno estrangeiro: passaporte ou idioma

Esta é a pergunta-chave para as famílias, e a formulação mudou em três dias. A primeira-ministra falou de alunos estrangeiros; a circular de 2010 conta pela cidadania. O ministro da Educação, em 22 e 23 de setembro, descreveu outra coisa:

  • o limite é de 30% de alunos que não sabem italiano o suficiente; o critério, segundo ele, é puramente linguístico;
  • crianças que frequentaram a educação infantil italiana (a etapa anterior ao ensino fundamental) ou passaram anos suficientes em escolas italianas não vão contar;
  • cidadãos da UE entram na conta: o exemplo dele foi um aluno polonês sem italiano;
  • a regra vale a partir deste ano letivo para quem está chegando; as turmas existentes não serão desfeitas;
  • os escritórios escolares locais e os diretores vão distribuir os alunos entre escolas próximas, com exceções e aulas extras de italiano onde isso for impossível;
  • mais de € 14 milhões estão reservados para aulas extras de italiano.

Onde está a confusão. Nos primeiros dias, circulou a versão de que as crianças da UE ficariam de fora. O ministro, numa entrevista em 22 de setembro e em declarações em 23 de setembro, disse o contrário. Só o decreto publicado vai resolver a questão.

O que isso significa para famílias que se mudam para a Itália

Nenhuma das declarações diz que crianças estrangeiras serão recusadas. O artigo 34 da Constituição italiana declara a escola aberta a todos, e juristas já o citam. A questão é a distribuição: se uma turma da escola mais próxima atingir o limite, a criança pode ir para uma vizinha.

  • Residência de investidor e outras autorizações. Uma criança estrangeira que chega sem italiano é exatamente o público da regra. Se você está pedindo a residência de investidor na Itália, conte com uma escola que talvez não seja a mais próxima.
  • Nômades digitais. As famílias com o visto italiano de nômade digital escolhem a cidade pelo trabalho e pelo aluguel. No norte, a parcela de alunos estrangeiros é maior, e também a chance de a escola mais próxima estar perto do limite.
  • Cidadania por ascendência. Uma criança com cidadania italiana não é estrangeira num teste por cidadania, mas num teste de idioma o passaporte sozinho pode não ajudar; isso não foi esclarecido. E desde a reforma de 2025, a cidadania italiana por ascendência é reconhecida para muito menos descendentes.
  • Cidadãos da UE. Segundo o ministro, outro passaporte da UE não livra do limite uma criança sem italiano. Sobre ter vários passaportes, veja o nosso guia de dupla cidadania.
  • Crianças que já estudam em escolas italianas. As turmas atuais ficam como estão, e depois da educação infantil italiana ou de alguns anos de escola a criança deve ficar fora do limite.

A conclusão: o italiano do seu filho deixa de ser um bônus e passa a ter peso formal. Começar as aulas antes da mudança faz sentido em qualquer cenário. Mais no nosso texto sobre mudança com filhos.

Burca, nicabe e italiano para os pais

A Itália não tem uma proibição específica da burca. Uma lei de 1975 proíbe estar em público, sem motivo justificado, de capacete ou com qualquer coisa que dificulte a identificação, mas em 2008 o Conselho de Estado, o tribunal administrativo superior, aceitou os motivos religiosos como justificados, desde que o rosto seja mostrado nas verificações de identidade. A nova regra acabaria com essa ambiguidade nas escolas. As declarações citam a burca e o nicabe, peças que cobrem o rosto.

Quanto aos pais, quem decide que uma criança tem sérias dificuldades de integração, como serão os cursos e o que acontece em caso de recusa ainda não tinha sido divulgado na data da publicação.

Escolas particulares e internacionais como alternativa

Muitas famílias que se mudam por pouco tempo escolhem de qualquer forma uma escola particular ou internacional, mas nem ali há nada definido.

  • Escolas particulares equiparadas (reconhecidas como equivalentes às públicas) fazem parte do sistema nacional. Não foi especificado se o limite vale para elas.
  • Escolas internacionais com currículos britânicos, americanos ou do programa internacional de ensino em inglês cobram mensalidade. O debate até agora trata das escolas públicas, sem nenhuma declaração sobre as internacionais.
  • Escolas públicas continuam gratuitas e, para quem vai morar muito tempo, são o caminho mais natural para a língua. O limite não fecha esse caminho, mas pode influenciar a escola em que você vai cair.

As mensalidades variam muito de cidade para cidade, então escolha a cidade e a escola juntas. Os nossos guias de Roma e Milão são um bom começo.

O que se sabe e o que não se sabe

PerguntaO que se sabe em 23 de setembroO que ainda não está claro
Forma jurídicaDecreto-lei, previsto no Conselho de Ministros em 24 de setembro, segundo o ministro da EducaçãoTexto final e data de publicação
Limite30% de alunos sem italiano suficienteComo o nível de idioma será avaliado
CritérioLinguístico, não de cidadaniaCrianças com cidadania italiana sem italiano
Cidadãos da UEEntram na conta, segundo o ministroEventuais exceções no texto
Ficam de foraCrianças após a educação infantil italiana ou alguns anos de escola; turmas existentesQuantos anos bastam
Escolas particulares e internacionaisNão mencionadasSe a regra vale para elas
PaisItaliano obrigatório se a criança tiver sérias dificuldadesFormato dos cursos, consequências da recusa

O trâmite: um decreto-lei italiano entra em vigor na publicação, mas o parlamento precisa convertê-lo em lei em 60 dias, ou ele perde a validade, e antes disso o presidente da República o examina, inclusive quanto à constitucionalidade e à urgência real. A oposição, incluindo o prefeito de Milão, chama a medida de propaganda, e os críticos citam o artigo 34. O texto final pode diferir dos anúncios, então planeje com folga.

Caminhos legais para uma família ir à Itália

As medidas escolares não mudam os caminhos de imigração em si:

CaminhoPara quem serveO que pesa na escola
Residência de investidorInvestidores e empreendedoresAs crianças chegam como estrangeiras; o italiano é decisivo
Visto de nômade digitalQuem trabalha a distância com renda do exteriorA escolha da cidade afeta a pressão sobre as escolas
Cidadania por ascendênciaDescendentes dentro dos limites da reforma de 2025O tratamento de crianças sem italiano não está claro
Espanha ou Portugal para quem trabalha a distânciaQuem não está decidido pela ItáliaRegras e exigências de idioma próprias; compare cedo

Escolhendo do zero? Comece pelos nossos panoramas de autorizações de residência e de vistos de nômade digital.

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Perguntas frequentes

A Itália está limitando o número de alunos estrangeiros por turma?
Foi anunciado, mas em 2026 não há lei. Em 20 de setembro, a primeira-ministra prometeu fixar um limite em lei, e o ministro da Educação disse que seria um decreto-lei com limite de 30%. Uma recomendação parecida existe desde 2010, mas raramente foi aplicada.
Quem conta como aluno estrangeiro nas escolas italianas?
A circular de 2010 conta pela cidadania. Para a nova regra, o ministro da Educação descreveu um critério linguístico: o limite de 30% cobriria as crianças que não sabem italiano o suficiente, inclusive cidadãos da UE. Crianças que frequentaram a educação infantil italiana ou vários anos de escola italiana não contariam, segundo ele.
Meu filho pode se matricular numa escola italiana sem falar italiano?
Sim. Ninguém propôs recusar matrículas, e o direito à educação é protegido pelo artigo 34 da Constituição italiana. A questão é a distribuição: se uma turma da escola mais próxima atingir o limite, a criança pode ser colocada numa escola vizinha ou, onde isso for impossível, receber uma exceção e aulas extras de italiano.
O limite vale para escolas particulares e internacionais na Itália?
Isso não tinha sido especificado na data da publicação. As escolas particulares equiparadas fazem parte do sistema nacional, e nada específico foi dito sobre as escolas internacionais com currículos estrangeiros. A resposta estará no texto do decreto.
A Itália vai proibir o véu islâmico nas escolas?
As declarações da primeira-ministra e do ministro da Educação citam a burca e o nicabe, peças que cobrem o rosto. Nenhuma proibição de lenços que deixam o rosto à mostra foi anunciada oficialmente. A formulação exata estará no texto publicado.
Quando o limite de alunos estrangeiros na Itália entra em vigor?
Nenhuma data oficial foi fixada. O ministro disse que seria um decreto-lei para quem chega a partir deste ano letivo. Um decreto-lei vale a partir da publicação, mas o parlamento precisa convertê-lo em lei em 60 dias, e o texto ainda pode mudar.

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