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A Argentina muda as regras: o que o Decreto 366/2025 significa para estrangeiros e migrantes

6 min de leitura · ·

Atualização de 2026. Em 30 de junho de 2026, a Câmara Nacional Eleitoral da Argentina, julgando o caso de um único requerente, declarou nulo o Decreto 366/2025 e devolveu a decisão sobre a cidadania a um tribunal federal pela Lei 346. O governo disse que vai recorrer, e a Suprema Corte ainda não deu a palavra final. O programa de cidadania por investimento nunca saiu do papel. O procedimento atual está na nossa página de cidadania argentina.

Em 29 de maio de 2025, o presidente argentino Javier Milei assinou o Decreto 366/2025, que fez a reforma mais ampla em anos das leis de migração e cidadania do país. As novas regras afetam a vida de milhões de estrangeiros que já moram na Argentina e também de quem apenas planeja chegar.

Veja a seguir as principais disposições da reforma e as suas consequências jurídicas.

1. Saúde para estrangeiros em 2025: o fim do acesso universal

Uma das mudanças mais polêmicas diz respeito ao acesso aos serviços públicos. Estrangeiros sem residência permanente (DNI permanente) agora têm que:

  • ter um seguro de saúde privado, ou
  • pagar do próprio bolso pelos serviços médicos públicos.

O atendimento de emergência gratuito continua disponível para todos. Mas o acesso pleno ao sistema de saúde, antes aberto até a turistas e residentes temporários, agora é um privilégio dos residentes permanentes e dos cidadãos.

2. Educação para migrantes: ensino superior pago, ensino básico gratuito

A Lei de Educação nº 24.521 também foi alterada. O princípio do “acesso para todos” agora tem limites:

  • a educação infantil, o ensino fundamental e o médio continuam gratuitos para todos, inclusive migrantes sem documentos;
  • o ensino superior nas universidades públicas é gratuito só para cidadãos e estrangeiros com residência permanente;
  • as universidades agora podem cobrar mensalidade de todos os outros estudantes estrangeiros.

3. Naturalização e cidadania em 2025: o casamento não significa mais passaporte automático

Antes do decreto, os estrangeiros casados com um cidadão argentino, ou os pais de filhos argentinos, podiam obter a cidadania sem cumprir nenhum tempo mínimo de residência. Esse privilégio foi abolido.

Pelo texto revisto da Lei nº 346:

  • os requerentes agora precisam mostrar dois anos de residência contínua e legal na Argentina sem sair do país;
  • o tempo passado com uma autorização temporária já não conta para esse período.

4. Cidadania por investimento: um novo caminho para migrantes ricos

A reforma cria um caminho alternativo para a cidadania: o investimento. Um estrangeiro que fizer um “investimento significativo” na economia nacional (a própria definição de “significativo” ainda tem que ser fixada pelo Ministério da Economia) pode pular a regra dos dois anos de residência.

Uma agência própria de programas de cidadania por investimento está sendo criada para cuidar desses casos.

5. Naturalização sem os tribunais: a competência centralizada na direção de migrações

A naturalização não vai mais passar pelo Judiciário. Em vez disso, toda a competência é transferida para a Direção Nacional de Migrações. Isso pode acelerar o processo, mas também reduz a possibilidade de o requerente recorrer de uma recusa.

Há uma exceção importante: todos os casos iniciados antes de 29 de maio de 2025 serão tratados pelas regras anteriores, inclusive pelos tribunais.

6. Riscos jurídicos e disputas sobre o Decreto 366/2025: a constitucionalidade em questão

O decreto foi editado contornando o Congresso pelo procedimento do DNU (decreto de necessidade e urgência), o que levanta dúvidas legítimas sobre a sua constitucionalidade:

  • o artigo 75, inciso 12, da Constituição argentina diz expressamente que as leis de migração e cidadania são prerrogativa exclusiva do Congresso Nacional;
  • o conceito de “residência contínua” sem viagens ao exterior entra em conflito com direitos humanos fundamentais, inclusive a liberdade de circulação.

7. A política migratória da Argentina em 2025: a política e as consequências sociais

O decreto reflete claramente o esforço do atual governo para endurecer o controle sobre a migração e monetizar o acesso a direitos por meio de um limite econômico.

Ele cria, na prática, uma estratificação social:

  • os migrantes pobres ficam sem acesso aos serviços sociais;
  • os pais de filhos argentinos agora têm que “provar a sua lealdade” com dois anos de residência contínua;
  • os investidores recebem um atalho direto para a cidadania;
  • os estudantes estrangeiros pagam pelos estudos;
  • todos os outros perdem os instrumentos de proteção legal e de recurso.

O que os estrangeiros na Argentina devem fazer: conselhos dos especialistas da Murblz

Os especialistas da Murblz destacam o seguinte:

  • os estrangeiros que fizeram os seus pedidos antes de 29 de maio de 2025 devem agir rápido para garantir os seus direitos com apoio jurídico, sobretudo quando o caso já está num tribunal;
  • os novos requerentes, em especial pais de argentinos ou cônjuges de cidadãos, devem contar com um prazo real de naturalização de cerca de cinco anos e se preparar para um período sem viagens ao exterior;
  • os investidores devem acompanhar a regulamentação que vai fixar o limite de investimento e os critérios de elegibilidade;
  • os requerentes de todas as categorias devem montar uma estratégia individual.

Conclusão: cidadania e migração na Argentina depois do Decreto 366/2025

O Decreto 366/2025 é muito mais que uma nota de rodapé burocrática. É uma transformação em grande escala que redefine quem pode se tornar argentino, em que condições e a que preço. Para alguns, abre um atalho para a cidadania por meio do capital. Para outros, significa anos de espera e menos direitos.

Nesta etapa, a ajuda jurídica não é uma opção, é uma necessidade.

Acompanhe as atualizações e consulte os especialistas da Murblz se os seus planos envolvem a Argentina.

Perguntas frequentes

Quanto tempo é preciso morar na Argentina para obter a cidadania?
Pela reforma, são necessários dois anos de residência contínua e legal no país, sem sair dele. O tempo com uma autorização temporária já não conta para esse período, então, na prática, o caminho até o passaporte agora se estende para cerca de cinco anos.
Casar com um argentino dá cidadania?
Automaticamente, não mais. Os cônjuges de cidadãos e os pais de filhos argentinos tinham direito sem tempo mínimo de residência, mas o decreto acabou com esse atalho. Agora eles passam pelo caminho comum, com a exigência de dois anos de residência contínua.
A saúde na Argentina é gratuita para estrangeiros?
Só em parte. Estrangeiros sem residência permanente agora têm que ter seguro de saúde ou pagar do próprio bolso pelos serviços médicos públicos. O atendimento de emergência gratuito continua disponível para todos, mas o acesso pleno ao sistema de saúde virou um privilégio dos residentes permanentes e dos cidadãos.
Dá para obter a cidadania Argentina por investimento?
Sim, a reforma criou esse caminho. Um investimento significativo na economia do país permite pular a regra dos dois anos de residência, e uma agência própria está sendo criada para cuidar desses casos. O limite de investimento e os critérios de seleção ainda têm que ser aprovados pelo Ministério da Economia, então confira o valor na regulamentação atual.
Os estudantes estrangeiros pagam a universidade na Argentina?
O ensino superior público agora é gratuito só para cidadãos e estrangeiros com residência permanente. As universidades podem cobrar de todos os outros estudantes estrangeiros. A educação infantil, o ensino fundamental e o médio continuam gratuitos para todos, inclusive migrantes sem situação regular.
O que acontece com os pedidos feitos antes da reforma?
Os casos iniciados antes de 29 de maio de 2025 são tratados pelas regras antigas, inclusive nos tribunais. Os novos casos de naturalização saíram do Judiciário para a Direção Nacional de Migrações, o que pode acelerar as coisas, mas reduz a margem para recorrer de uma recusa.

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