Dar à luz na Argentina: prós e contras depois do Decreto 366/2025
Cada vez mais futuros pais avaliam a opção de dar à luz no exterior. A Argentina, um país com saúde privada desenvolvida e entrada sem visto para cidadãos russos, se tornou um dos destinos mais procurados. Mas, como qualquer decisão importante, ter um filho aqui tem as suas vantagens e desvantagens, e desde 2025 as regras para os pais ficaram bem mais rígidas. Vamos ver os dois lados.
As vantagens de dar à luz na Argentina
Cidadania para a criança
Uma criança nascida em solo argentino é cidadã argentina desde o nascimento, qualquer que seja a situação dos pais (artigo 1º da Lei de Cidadania nº 346); a única exceção são os filhos de diplomatas estrangeiros acreditados. O Decreto 366/2025 não mudou a cidadania por nascimento. O passaporte argentino é um dos mais fortes do mundo, o que traz:
- Acesso sem visto ou com visto na chegada a cerca de 170 destinos, incluindo o espaço Schengen, o Reino Unido, o Japão e outros.
- O direito de morar, estudar e trabalhar na Argentina sem vistos nem autorizações de residência.
- Acesso ao sistema de saúde nas mesmas condições dos outros cidadãos: as restrições criadas pelo Decreto 366/2025 valem só para estrangeiros.
- A Argentina está na lista de países com tratado com os EUA para o visto de investidor E-2, embora em 2026 os cidadãos argentinos ainda precisem de visto para visitar os EUA. Alguns cidadãos argentinos podem voar para o Canadá com uma autorização eletrônica de viagem em vez de visto, se cumprirem as condições.
- Sem serviço militar obrigatório: o serviço militar na Argentina é voluntário desde meados dos anos 1990.
As consequências tributárias dependem de onde a família mora e de onde é residente fiscal: veja o nosso guia de impostos na Argentina.
Um mínimo legal curto para a naturalização dos pais
Os pais não ganham direito imediato à cidadania. O artigo 20 da Constituição argentina prevê a naturalização depois de dois anos de residência contínua: é o mínimo legal e um dos mais curtos do mundo. Mas os pais precisam primeiro se estabelecer legalmente na Argentina e obter a residência.
O que o Decreto 366/2025 mudou
Até pouco tempo atrás, ter um filho na Argentina abria um caminho quase automático para a residência permanente dos pais. O Decreto 366/2025, publicado em 29 de maio de 2025, chamou expressamente o turismo de parto de abuso da lei de migração e mudou as regras:
- Os pais de uma criança argentina recebem residência temporária por reunião familiar por até 3 anos, renovável (artigo 23(ñ) da Lei de Migração 25.871). O pedido exige atestados de antecedentes criminais, comprovação de um endereço real e comprovação de entrada legal.
- A residência permanente só é concedida com comprovação de meios suficientes para viver no país e ficha criminal limpa (artigo 22). Pelas regras da Direção Nacional de Migrações, os cidadãos de países de fora do Mercosul só podem passar para a residência permanente depois de 3 anos de residência temporária, tendo passado pelo menos metade desse tempo no país.
- O tempo como turista e com a precaria (a autorização provisória emitida enquanto o pedido está pendente) não conta para a residência permanente nem para a cidadania.
- A residência temporária é cancelada depois de uma ausência de 6 meses ou mais, e a permanente, depois de uma ausência de um ano ou mais, salvo autorização da autoridade de migração (artigo 62).
- Para a naturalização, o decreto exige dois anos de residência legal contínua antes do pedido, sem nenhuma viagem ao exterior, e a decisão é tomada pela Direção Nacional de Migrações, e não por um tribunal federal.
As disposições do decreto sobre cidadania estão sendo contestadas na Justiça. Em junho de 2026, a Câmara Nacional de Apelações no Civil e Comercial Federal as declarou inconstitucionais no caso Volosh e, em 30 de junho de 2026, a Câmara Nacional Eleitoral as declarou nulas no caso Yang, porque a cidadania está ligada ao direito de voto, que não pode ser alterado por decreto. O governo anunciou que vai recorrer dessa decisão à Suprema Corte. Em 2026, não há uma decisão geral da Suprema Corte, e a Direção Nacional de Migrações continua aplicando o procedimento do decreto nos outros casos.
A dupla cidadania é permitida
A Argentina permite que os seus cidadãos tenham dupla nacionalidade: nem a criança nem os pais naturalizados precisam abrir mão dos outros passaportes.
Saúde privada desenvolvida
A Argentina tem uma saúde privada desenvolvida e uma ampla escolha de hospitais para o parto, sobretudo em Buenos Aires, e muitas famílias consideram os médicos locais atenciosos e competentes. A clínica assina o contrato de serviços médicos diretamente com a família.
Entrada sem visto para cidadãos russos
Os cidadãos russos não precisam de visto e podem ficar até 90 dias, então, antes do parto, dá para ir até lá, conhecer o país e as clínicas e depois tomar a decisão final. Mas a isenção de visto não garante a entrada: a lei de migração, com a redação do Decreto 366/2025, prevê uma declaração sobre o motivo da viagem e o seguro-saúde, e o controle de fronteira pode recusar a entrada se houver suspeita fundamentada de que o motivo real é diferente do declarado (artigo 35).
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As desvantagens de dar à luz na Argentina
O orçamento do parto e o acesso à saúde pública
Nos hospitais públicos federais, os estrangeiros sem residência permanente recebem atendimento não emergencial só mediante seguro-saúde ou pagamento antecipado (artigo 8º da lei de migração; o procedimento foi definido pela Resolução 1066/2026 do Ministério da Saúde, publicada em 11 de agosto de 2026). O atendimento de emergência é prestado a todos, mas, depois que o paciente se estabiliza, os serviços seguintes podem ser cobrados. A Cidade de Buenos Aires e várias províncias, entre elas Salta, Jujuy e Mendoza, também cobram de estrangeiros não residentes. Por isso, faz sentido planejar o orçamento com base numa clínica particular. As clínicas raramente publicam os preços, e os valores são fixados em pesos e mudam com o câmbio e a inflação, então só um orçamento por escrito dá o número exato: pergunte à parte sobre o custo de uma cesariana e dos cuidados neonatais.
Uma longa espera pela cidadania dos outros filhos
Os filhos mais velhos nascidos fora da Argentina não recebem a cidadania automaticamente. Enquanto são menores, podem obter residência como filhos de residentes, e só podem pedir a naturalização por conta própria quando atingem a maioridade (18 anos).
A barreira da língua
Embora alguns médicos falem inglês, o espanhol continua sendo a principal língua de comunicação, o que pode criar certas dificuldades.
Não é possível renunciar à cidadania argentina
A lei argentina não permite renunciar à cidadania por nascimento: a criança continuará argentina mesmo depois de obter outros passaportes.
Onde a lei traça o limite
Dar à luz na Argentina é legal, e a criança recebe a cidadania qualquer que seja a situação dos pais. Há só um caminho legal: declarar com honestidade o motivo da viagem na fronteira, morar no seu endereço real e apresentar só documentos autênticos. Um endereço falso, certidões forjadas ou uma residência fictícia levam à recusa da entrada com proibição de reentrada de pelo menos 5 anos, ao cancelamento da residência com expulsão (artigos 29, 35, 54 e 62 da lei de migração) e a processo criminal. Em 2023, a juíza federal María Servini conduziu o caso de uma agência que trazia russas grávidas para dar à luz na Argentina: segundo os investigadores, dezenas de atestados policiais de residência forjados, com endereços inexistentes, foram entregues ao serviço de migração, e os donos da agência, uma intérprete e um advogado foram intimados a depor por falsidade ideológica, fraude e violação da lei de migração.
Escolher onde dar à luz é uma decisão séria para qualquer família. Dar à luz na Argentina ainda dá à criança a cidadania e um passaporte forte, mas, para os pais, já não é uma via rápida: exige uma mudança de verdade, uma situação legal sem lacunas e meios comprovados. A representação jurídica perante a Direção Nacional de Migrações e os tribunais fica com os especialistas da Murblz, junto com parceiros licenciados na Argentina. Não vendemos serviços médicos: você escolhe a clínica, e ela assina o contrato diretamente com você. Mais detalhes na nossa página de acompanhamento do parto na Argentina e no nosso guia sobre dar à luz na Argentina em 2026.
Perguntas frequentes
Um bebê nascido na Argentina recebe a cidadania?
O que os pais recebem depois de um parto na Argentina?
É preciso visto para viajar à Argentina para dar à luz?
Dá para renunciar à cidadania Argentina?
Os irmãos mais velhos também vão receber a cidadania?
Dar à luz na Argentina é caro?
Posso dar o endereço de um amigo ou de uma agência no pedido de residência?
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