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Ativos congelados no depositário belga: como desbloqueá-los passo a passo

24 min de leitura · ·

Desde o outono europeu de 2025, quase todos os pedidos terminaram em recusa, mas em 11 de setembro de 2026 o mais alto tribunal administrativo da Bélgica anulou uma dessas recusas. Um guia passo a passo: onde os títulos estão de fato, como escolher entre uma licença belga ou luxemburguesa, um tribunal russo e uma venda, o que entregar, quanto custa e como evitar golpistas.

Em 11 de setembro de 2026, o Conselho de Estado da Bélgica, o mais alto tribunal administrativo do país, anulou uma recusa do Tesouro belga de liberar ativos congelados no depositário central internacional de títulos sediado em Bruxelas. O requerente era um banco russo: ele fez o pedido em janeiro de 2023 e teve a recusa em 15 de julho de 2024. O tribunal nem chegou ao mérito. Ele decidiu que o funcionário que assinou a recusa não tinha a competência necessária e devolveu o pedido para uma nova decisão.

Para os titulares de títulos congelados, esse é um precedente que pode ser citado ao recorrer de recusas. No outono europeu de 2025, até 99% das decisões do Tesouro sobre investidores pessoas físicas eram recusas. O que está em jogo é enorme: o Banco da Rússia estima que os investidores russos têm 5,7 trilhões de rublos presos no depositário belga e no seu equivalente luxemburguês, cerca de 20% disso de pessoas físicas. Em outubro de 2025, a presidente do banco central, Elvira Nabiullina, disse à Duma Estatal que cerca de metade tinha sido recuperada de um jeito ou de outro. A metade que resta são os casos difíceis.

A seguir, um guia passo a passo: como descobrir onde os títulos estão de fato, qual via escolher, o que entregar e o que acontece depois de uma licença. A cronologia desde 2022 e um panorama do mercado estão no nosso artigo à parte sobre o desbloqueio de ativos em corretoras.

O que mudou para os ativos congelados em 2026

A grande história do ano não são as novas licenças, e sim uma disputa sobre quem tem o direito de concedê-las. Por causa dela, o Tesouro belga congelou as decisões por cerca de sete meses e depois voltou a recusar.

QuandoO que aconteceuO que significa na prática
Setembro a dezembro de 2025O Tesouro belga endureceu as exigências e, a partir de dezembro, praticamente parou de decidirOs novos pedidos eram recebidos e numerados, mas não analisados
Janeiro de 2026O auditor do Conselho de Estado concluiu que o Tesouro não tinha competência legal para decidir esses casosSurgiu uma base para contestar as recusas
Abril de 2026O Tesouro retomou as análises, com as decisões agora assinadas pelo ministro das FinançasA fila andou, as regras não ficaram mais brandas
A partir de 7 de julho de 2026As primeiras novas decisões foram recusas com duas assinaturas: a do chefe do Tesouro e a do ministro das Finanças, Jan JambonO Tesouro está corrigindo a falha formal; no mérito, as exigências não mudaram
24 de julho de 2026Entrou em vigor o 21º pacote de sanções da UE (Regulamento 2026/1848)As decisões judiciais russas em disputas sobre sanções não são reconhecidas na UE, e as empresas da UE têm direitos mais amplos para cobrar indenização de requerentes russos
28 de julho de 2026Foi publicada uma lei belga que confirma as competências do Tesouro retroativamente desde 18 de dezembro de 2023; a maioria das disposições vale a partir de 1º de setembro de 2026A Bélgica tenta resolver a disputa de competência por lei
11 de setembro de 2026O Conselho de Estado anulou a recusa dada ao banco russoAs recusas assinadas pelo antigo esquema de delegação podem ser contestadas, se o prazo não tiver passado

A alta política corre em paralelo. Em 12 de dezembro de 2025, a UE congelou por tempo indeterminado ativos do Banco da Rússia de cerca de 210 bilhões de euros. Em 15 de maio de 2026, o Tribunal Arbitral de Moscou condenou o depositário belga a pagar 18,2 trilhões de rublos ao banco central russo; a corte de apelação manteve a decisão em julho, e em 24 de setembro o depositário entrou com recursos de cassação. Esses casos afetam uma carteira pessoal só de forma indireta, mas tornam mais duro o clima em torno de cada pedido.

Passo 1. Onde os títulos estão de fato

Uma ação estrangeira num extrato de corretora russa quase nunca fica com a própria corretora. A cadeia típica vai da corretora ao seu depositário, depois ao depositário central russo e depois ao depositário central de Bruxelas ou ao de Luxemburgo. No caso dos títulos americanos, há também a infraestrutura de mercado dos EUA por trás do depositário belga. Em 3 de junho de 2022, o depositário central russo entrou na lista de sanções da UE (Anexo I do Regulamento 269/2014), e tudo o que estava nas suas contas congelou junto.

A Comissão Europeia explica a lógica nas suas orientações sobre os depositários centrais de títulos: tudo o que o depositário central russo mantém, mesmo temporariamente e em nome de clientes, conta como congelado. Os títulos continuam pertencendo ao investidor, mas qualquer operação com eles exige autorização do regulador do país onde fica o depositário europeu.

Os títulos mantidos por meio do banco de liquidação de uma bolsa russa de ações estrangeiras são uma história à parte. Ali o bloqueio é americano: em novembro de 2023, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA incluiu essa bolsa na sua lista de sanções. As licenças europeias não resolvem esse problema.

Por isso, o trabalho começa com um pedido à corretora. O que é preciso: um extrato da conta de custódia mostrando onde cada título está e o seu código internacional de identificação, os relatórios da corretora com as datas de compra e a resposta a uma pergunta: a corretora ou o depositário central russo entregou um pedido coletivo ao Tesouro belga antes de 7 de janeiro de 2023? Esse prazo está escrito no próprio regulamento da UE, e o Tesouro ainda olha para ele.

Onde os títulos estãoQuem decideO que perguntar à corretora
Depositário belga, por meio do depositário central russoA Administração-Geral do Tesouro do Serviço Público Federal de Finanças da BélgicaHouve um pedido coletivo antes de 7 de janeiro de 2023; há infraestrutura americana na cadeia
Depositário luxemburguês, por meio do depositário central russoO Ministério das Finanças de LuxemburgoO que exatamente está congelado: dinheiro (cupons, dividendos, resgates) ou os próprios títulos
O banco de liquidação da bolsa russa e depositários americanosO Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUAA corretora ou o banco de liquidação têm um número de caso no escritório americano e um registro dos títulos bloqueados

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Passo 2. Qual via de desbloqueio escolher

Há quatro vias, e elas não se combinam bem. Uma licença dá a chance de recuperar os próprios títulos, mas é lenta e cara. Um tribunal russo dá rublos no papel, difíceis de cobrar. Uma venda traz dinheiro rápido, mas com desconto de até 70%. Veja como elas se comparam pelos dados públicos:

ViaCondições principaisPrazo pelos dados públicosO que se sabe sobre as chances
Licença belga (depositário de Bruxelas)Requerente sem sanções da UE nem dos EUA; títulos comprados antes de 3 de junho de 2022; conta de destino na UE ou na Suíça (em alguns casos também nos EUA ou no Reino Unido); carta de garantia de uma corretora europeia; prova do rompimento completo com o depositário central russo6 a 12 meses a partir do momento em que o pedido recebe um número; em média 10 a 14 meses, 24 a 30 com recurso; há casos que duraram três anosAté 99% de recusas no outono europeu de 2025; as novas decisões desde julho de 2026 são de novo recusas; a decisão do Conselho de Estado de 11 de setembro de 2026 abriu um caminho para a revisão
Licença luxemburguesa (depositário de Luxemburgo)A base legal é o artigo 6 do Regulamento 269/2014 (cumprimento de obrigações surgidas antes das sanções); conta de destino na UE ou na Suíça; na prática, não é preciso garantidorUm caso conhecido obteve licença 4 meses depois do pedido (2024)As aprovações abrangem sobretudo dinheiro: cupons, dividendos, resgates. Não há licenças confirmadas para transferir os próprios títulos
Tribunal russoAção contra o depositário belga ou o luxemburguês pelo artigo 248.1 do Código de Processo Arbitral russo (competência exclusiva dos tribunais comerciais russos sobre disputas que envolvem partes sancionadas)As audiências levam meses; o atraso real está na execuçãoA renda não paga é concedida com mais frequência que o valor dos títulos. A execução é limitada pelo Decreto nº 8, de 3 de janeiro de 2024
Venda ou trocaUm comprador de balcão ou uma rodada de troca pelo Decreto nº 844Mais rápida que qualquer outra viaEm 2024, os compradores ficaram com 8,1 bilhões de rublos de 35 bilhões oferecidos e com 2,5 bilhões de 27 bilhões. Até meados de 2026, nenhuma nova troca coletiva tinha sido concluída
Licença americana (banco de liquidação da bolsa russa, cadeia dos EUA)Pedido individual pelo portal do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, que atribui um número de casoMais de um anoAs aprovações confirmadas em fontes públicas são raras

A licença belga: a via principal para o depositário de Bruxelas

O Tesouro belga concede autorizações individuais pelo artigo 6b(5) do Regulamento da UE 269/2014. Essa disposição permite liberar ativos do depositário central russo quando necessário para encerrar operações firmadas antes de 3 de junho de 2022. O regulamento fixa o prazo de 7 de janeiro de 2023, e é por isso que importa se a corretora entregou um pedido coletivo até essa data.

Desde o outono europeu de 2025, o Tesouro exige a prova do rompimento completo com o depositário central russo e olha o objetivo da operação: retirada ou venda, e não a continuidade dos investimentos pela infraestrutura sancionada. Há também uma boa notícia. Desde o outono europeu de 2025, o depositário de Bruxelas executa as licenças belgas sem uma autorização americana à parte quando não há partes americanas envolvidas na cadeia ou na transação. Antes, a necessidade de duas licenças matava a maioria dos casos.

A licença luxemburguesa: dinheiro é mais fácil que títulos

Em 16 de dezembro de 2022, Luxemburgo emitiu uma autorização geral, o que na prática fechou a via do artigo 6b(5) para os pedidos individuais. Os pedidos agora se baseiam no artigo 6 do regulamento: a liberação de ativos para cumprir obrigações surgidas antes das sanções. Ao contrário da Bélgica, não é preciso garantidor.

Desde 2025, o Ministério das Finanças de Luxemburgo aprova com mais frequência os pagamentos de cupons, dividendos e resgates. Os próprios títulos são mais difíceis: ainda não há dados confiáveis sobre licenças para transferi-los.

Tribunal russo: uma vitória difícil de cobrar

Os tribunais russos de fato concedem indenizações contra o depositário belga. No início de 2026, o Tribunal Arbitral do Distrito dos Urais manteve a cobrança de renda não paga dos depositários belga e luxemburguês em favor de um investidor russo (processo A60-22233/2024). Em 6 de abril de 2026, o Tribunal Arbitral de Moscou concedeu a uma gestora de recursos russa 15,2 bilhões de rublos de renda não paga contra o depositário belga. Mas, em janeiro, o mesmo tribunal tinha rejeitado o pedido dela pelo valor dos próprios títulos, 319,4 bilhões de rublos: na visão do tribunal, um congelamento não significa perda da propriedade.

Há três problemas. Primeiro, o Decreto nº 8, de 3 de janeiro de 2024, proíbe a execução sobre as contas do tipo C (contas especiais em bancos e depositários russos que guardam dinheiro e títulos de estrangeiros de países hostis) por decisões emitidas depois dessa data, e é justamente ali que estão os ativos do depositário belga na Rússia. Segundo, em 30 de abril de 2026, o Tribunal Arbitral de Moscou rejeitou o pedido de um investidor pessoa física porque ele não tinha recorrido da recusa do Tesouro ao Conselho de Estado da Bélgica; a ação foi considerada prematura. Terceiro, o artigo 11a do Regulamento 833/2014 permite que uma empresa da UE cobre indenização e custas de um requerente russo, e o 21º pacote ampliou essas regras. Um processo judicial e uma licença, portanto, puxam em direções opostas, e a linha deve ser escolhida antes de entregar o primeiro documento.

Venda e troca: rápido, mas caro

Uma venda de balcão é a única saída rápida, e a rapidez é paga com desconto. A troca pelo Decreto nº 844 devolveu 10,6 bilhões de rublos aos investidores em 2024, contra dezenas de bilhões em ofertas, e a primeira rodada foi limitada a 100.000 rublos por investidor. A Comissão Europeia proibiu expressamente as pessoas da UE de participar dessas trocas. Entrar em esquemas duvidosos também pode prejudicar um pedido de licença posterior, porque o regulador vai questionar a boa-fé do requerente.

Passo 3. Que documentos uma licença exige e onde entregar

O Tesouro belga decide com base nos papéis, sem entrevistas. O que não está no dossiê não existe para ele. Por isso, a maior parte do trabalho acontece antes da entrega: provar a cadeia de custódia, a data de compra e a ficha limpa do titular e conseguir uma corretora disposta a receber os ativos.

DocumentoPara que serveOnde obter
Passaporte e prova de status na UE (autorização de residência, se houver)Identidade do requerente; uma autorização de residência na UE ou um green card americano é um ponto forteCópias com tradução juramentada
Extrato da conta de custódia mostrando onde cada título está e o seu código internacional de identificaçãoMostrar a cadeia: corretora, depositário central russo, depositário belga ou luxemburguêsO depositário da corretora
Relatórios da corretora e confirmações das operaçõesProvar que os títulos foram comprados antes de 3 de junho de 2022A corretora
Declaração de ausência de sanções; estrutura societária, no caso de empresasO Tesouro verifica que ninguém na cadeia está nas listas da UE ou dos EUARequerente, especialistas da Murblz
Comprovação da origem dos recursosAs verificações de conhecimento do cliente na corretora de destinoExtratos bancários, contratos, declarações de imposto
Contrato com a corretora de destino e a sua carta de garantiaMostrar para onde os ativos vão e que não voltarão ao perímetro sancionadoUma corretora europeia; a carta leva de 6 a 16 semanas
O pedido em siReferência à disposição pertinente do regulamento da UE, dados do titular da conta, valores, dados bancáriosEspecialistas da Murblz, seguindo as exigências do Tesouro

O ponto mais fraco em geral não é o passaporte, e sim a origem dos recursos: uma corretora da UE vai verificá-la com mais rigor que um banco russo. Como montar esse dossiê está no nosso artigo sobre a comprovação da origem dos recursos. Os documentos em russo precisam de tradução, que é um trabalho à parte e mais fácil de encomendar junto com a apostila e a certificação.

Onde entregar:

  • Bélgica. Um pedido dirigido ao ministro das Finanças por meio da Administração-Geral do Tesouro, Avenue des Arts 30, 1040 Bruxelas. O endereço oficial do Tesouro para questões de sanções financeiras é [email protected]. Depois da entrega, o pedido recebe um número, e a contagem começa a partir daí.
  • Luxemburgo. Ministério das Finanças, Direção de Assuntos Multilaterais, Desenvolvimento e Conformidade, 3 rue de la Congrégation, L-1352 Luxemburgo; e-mail [email protected]. O ministro das Finanças tem competência para conceder isenções das sanções.
  • Estados Unidos. O portal online de pedidos de licença do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros. O cadastro é opcional; o andamento é consultado pelo número do caso.

Não há informação pública sobre taxas do governo para esses pedidos na Bélgica ou em Luxemburgo. Os principais custos são o apoio jurídico, o garantidor, as traduções e a corretora de destino. Informamos o custo do nosso apoio depois de analisar os seus documentos.

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Passo 4. O que acontece depois da concessão da licença

Uma licença é uma autorização, e não uma transferência. A segunda metade do caminho começa depois dela, e os casos também travam ali.

  1. A conformidade do depositário belga. O depositário faz a sua própria análise. Se não há infraestrutura americana nem parte americana na cadeia, ele não exige licença americana desde o outono europeu de 2025. Mas uma transferência pode travar sem uma recusa formal. Nesses casos, na prática, reclamações pré-judiciais contra o depositário, combinadas com queixas ao ouvidor e ao regulador financeiro, podem ajudar.
  2. A corretora de destino. Ela pode pedir mais do que o depositário, inclusive uma licença americana. Se a corretora estiver em Chipre, desde a primavera europeia de 2025 também é preciso uma licença à parte da unidade de aplicação de sanções do Ministério das Finanças cipriota: as primeiras foram emitidas em julho de 2025, com análise de cerca de três meses.
  3. Crédito e venda. Os títulos chegam com anos de cupons e dividendos acumulados, se o pagamento deles também tiver sido autorizado. Então entra um limite: o artigo 5b do Regulamento 833/2014 proíbe os bancos da UE de aceitar depósitos acima de 100.000 euros por banco de cidadãos e residentes russos. O limite não vale para cidadãos da UE, do Espaço Econômico Europeu e da Suíça nem para titulares de autorização de residência nesses países. Por isso, vender uma carteira grande sem status europeu bate logo no teto.
  4. Impostos. Vender títulos desbloqueados e receber cupons são fatos geradores de imposto. Os residentes fiscais russos precisam avisar o Serviço Federal de Impostos sobre uma conta no exterior e declarar a renda; os não residentes seguem outras regras. A residência está explicada no nosso artigo sobre a regra dos 183 dias, e as alíquotas por país estão no nosso guia de impostos.

Se vier uma recusa, a contagem é em semanas. Uma decisão do Tesouro pode ser contestada no Conselho de Estado da Bélgica em até 60 dias corridos a partir da notificação, e o prazo não pode ser prorrogado. Depois da decisão no caso do banco russo, a primeira coisa a conferir é quem assinou a recusa e quando: as decisões assinadas pelo esquema de delegação que o tribunal considerou ilegal agora estão vulneráveis. A recusa não é cancelada automaticamente, e os ativos não são liberados: o pedido é simplesmente analisado de novo, e o Tesouro pode recusar outra vez se seguir o procedimento.

O que fazemos: do extrato da corretora à conta creditada

A maioria das recusas não nasce em Bruxelas, e sim na fase de preparação: a disposição legal errada no pedido, a falta de carta de garantia, a falta de prova da data de compra. Por isso cuidamos do caso inteiro, em vez de vender um modelo de pedido.

  1. Análise da cadeia de custódia. Pedimos os extratos à corretora, rastreamos cada título até o depositário belga, o luxemburguês ou o banco de liquidação da bolsa russa e descobrimos se houve um pedido coletivo antes de 7 de janeiro de 2023.
  2. Escolha da via. Fazemos as contas de uma licença, de um processo e de uma venda para a carteira real. Se a carteira for pequena demais para uma licença, dizemos isso antes de qualquer gasto.
  3. Preparação do dossiê. Documentos, traduções, o dossiê de origem dos recursos e um pedido que cita a disposição certa do regulamento.
  4. Relação com a corretora e o depositário. A corretora russa, o seu depositário, a corretora de destino na UE e a sua equipe de conformidade: pedidos, cartas, acerto da carta de garantia.
  5. Representação na Bélgica e em Luxemburgo. A entrega, o contato com o Tesouro e com o ministério e os recursos ao Conselho de Estado ficam com os especialistas da Murblz, junto com parceiros licenciados localmente.
  6. Acompanhamento até o crédito dos ativos. A execução da licença no depositário belga ou no luxemburguês, a licença cipriota se a corretora estiver em Chipre e as consequências fiscais de uma venda.

O melhor é abrir a conta de destino antes da entrega: sem ela, o Tesouro não vê para onde os ativos vão. Onde e em que condições dá para abrir uma conta de verdade está no nosso guia de abertura de conta bancária no exterior.

Análise gratuita da cadeia de custódia. Envie o extrato da corretora com a lista dos títulos congelados. Diremos qual regulador decide sobre cada posição, qual via é realista e quanto vai custar o nosso apoio.

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Quanto tempo leva o desbloqueio de ativos no depositário belga

O erro mais comum é contar do pedido até a decisão. Na realidade, a decisão é a metade do caminho. Um caso real: pedido entregue em 2023, autorização concedida em 2024, e títulos de US$ 2,1 milhões só chegaram a uma corretora europeia no início de 2026. Quase três anos.

EtapaDuração pelos dados públicosDo que depende
Análise da cadeia e dos documentos5 a 10 dias úteisA rapidez das respostas da corretora e do depositário
Carta de garantia de uma corretora europeia6 a 16 semanasA conformidade da corretora, a transparência da origem dos recursos
Decisão do Tesouro belga6 a 12 meses a partir da numeração; mais em 2025-2026 por causa da pausaA fila, a disputa de competência, a completude do dossiê
Decisão do ministério luxemburguêsUm caso conhecido levou 4 mesesO que deve ser liberado: dinheiro ou títulos
Licença cipriota, se a corretora estiver em ChipreCerca de 3 mesesA carga de trabalho do ministério cipriota
Execução e créditoMais de um ano no caso conhecidoA conformidade do depositário e da corretora de destino, eventual ligação com os EUA
Recurso ao Conselho de Estado60 dias para entregar; a audiência leva meses ou anos, o caso do banco russo levou quase dois anosA carga de trabalho do tribunal e a complexidade

O caminho inteiro em geral leva de 6 a 8 meses num cenário favorável, de 10 a 14 em média e de 24 a 30 meses com recusa e recurso. Só dá para acelerar a própria parte: o dossiê, a garantia e a conta. Ninguém acelera a fila em Bruxelas.

Como reconhecer golpistas no desbloqueio de ativos

Uma carteira congelada é a isca perfeita: o dono espera há anos por boas notícias e está disposto a pagar pela esperança. Já em 10 de janeiro de 2024, o Banco da Rússia alertou sobre esquemas que pediam aos investidores que transferissem um valor igual ao dos seus ativos congelados, com a promessa de devolver o dobro. Em junho de 2026, o serviço federal de segurança da Rússia disse ter descoberto um esquema em que, segundo os investigadores, uma corretora cipriota e uma empresa de investimentos russa usaram documentos forjados na troca de recibos de depósito congelados.

Sinais de que a conversa deve acabar:

  • Um resultado ou um prazo garantidos. A decisão é tomada pelo ministro das Finanças da Bélgica ou de Luxemburgo, e não por um intermediário.
  • Uma taxa de sucesso prometida acima de 80-90%, num cenário de recusas quase totais do Tesouro em 2025-2026.
  • Um pedido de pagar uma taxa de desbloqueio ou um depósito num cartão ou numa carteira de criptomoedas.
  • Uma oferta de transferir os títulos para a conta de outra pessoa para acelerar as coisas.
  • Uma procuração geral sobre os ativos, em vez de uma procuração restrita à entrega de documentos.
  • Amigos dentro do depositário. O depositário só executa as decisões dos reguladores e não decide nada por conta própria.

Verificar leva uma hora. Os advogados belgas estão listados nas ordens dos advogados francófona e germanófona e na ordem flamenga, e os advogados luxemburgueses, na Ordem dos Advogados de Luxemburgo. Uma corretora é verificada no registro do regulador do seu país, e as empresas russas, no site do Banco da Rússia. Os especialistas da Murblz verificam os seus parceiros nos mesmos registros; mais na nossa página de apoio jurídico.

Se os títulos congelados fazem parte de uma mudança maior, o melhor é tratá-los junto com a residência e os impostos, e não à parte: o status na UE afeta tanto as chances de uma licença quanto os limites bancários. As opções de status estão reunidas nas nossas seções de autorizações de residência e de segunda cidadania. Um bom primeiro passo é uma breve consulta sobre a cadeia de custódia.

Perguntas frequentes

Como desbloquear ativos no depositário belga por conta própria?
A lei não impede que você entregue o pedido ao Tesouro belga sozinho. Mas os erros no dossiê custam mais que quaisquer honorários. O dossiê precisa de extratos da corretora mostrando onde os títulos estão, da prova da compra antes de 3 de junho de 2022, de um contrato com uma corretora de destino na UE ou na Suíça mais a sua carta de garantia e de um pedido baseado no artigo 6b(5) do Regulamento da UE 269/2014. No outono europeu de 2025, até 99% das decisões do Tesouro eram recusas, e há só 60 dias para recorrer de uma recusa. O apoio da Murblz elimina esses riscos: reconstruímos a cadeia de custódia, reunimos as provas da data de compra e da origem dos recursos, acertamos a carta de garantia com a corretora de destino e preparamos o pedido e o recurso. Garantimos um trabalho profissional e um processo transparente; a decisão sobre a licença cabe ao Tesouro belga.
Quanto tempo leva para descongelar ativos no depositário belga?
O Tesouro belga leva de 6 a 12 meses a partir do momento em que o pedido é numerado, e o processo inteiro leva em média de 10 a 14 meses, ou de 24 a 30 meses com recurso. Os prazos cresceram em 2025-2026: de dezembro de 2025 a julho de 2026, o Tesouro praticamente não emitiu decisões. Num caso conhecido, passaram quase três anos entre o pedido e o crédito dos títulos.
É preciso uma licença americana para desbloquear ativos no depositário belga?
Desde o outono europeu de 2025, o depositário belga executa as licenças belgas sem uma autorização americana à parte quando não há partes americanas nem infraestrutura americana na cadeia de custódia ou na transação. A corretora de destino ainda pode pedir uma licença americana por conta própria. Para os títulos bloqueados por meio do banco de liquidação da bolsa russa de ações estrangeiras, a única via é uma licença individual do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA, e as aprovações confirmadas em fontes públicas são raras.
Dá para desbloquear ativos congelados sem autorização de residência na UE?
O regulamento da UE não exige autorização de residência para uma licença, e Luxemburgo concedeu autorizações a investidores sem residência na UE. Na prática, porém, uma autorização de residência na UE ou um green card americano é um dos argumentos mais fortes num pedido. O artigo 5b do Regulamento 833/2014 também limita os depósitos de cidadãos e residentes russos a 100.000 euros por banco da UE, e esse limite não vale para os titulares de autorização de residência na UE, no Espaço Econômico Europeu ou na Suíça.
Como desbloquear ativos no depositário luxemburguês?
A decisão cabe ao Ministério das Finanças de Luxemburgo, e os pedidos vão para [email protected]. A base legal em geral é o artigo 6 do Regulamento 269/2014, o cumprimento de obrigações surgidas antes das sanções. É preciso uma conta de destino na UE ou na Suíça; ao contrário da Bélgica, não é preciso garantidor. As aprovações abrangem sobretudo dinheiro: cupons, dividendos e resgates. Um caso conhecido obteve licença 4 meses depois do pedido.
O que fazer se o Tesouro belga recusou o desbloqueio de ativos?
A recusa pode ser contestada no Conselho de Estado da Bélgica em até 60 dias corridos a partir da notificação. Em 11 de setembro de 2026, o Conselho de Estado anulou uma recusa dada a um banco russo porque ela foi assinada por um funcionário sem a competência necessária, então a primeira coisa a conferir é quem assinou a recusa e quando. Pular essa etapa também prejudica nos tribunais russos: em 30 de abril de 2026, o Tribunal Arbitral de Moscou rejeitou o pedido de um investidor justamente porque ele não tinha recorrido da recusa na Bélgica.
Dá para recuperar ativos congelados por um tribunal russo?
Os tribunais russos concedem sobretudo cupons e dividendos não pagos contra os depositários belga e luxemburguês, e o valor dos títulos com menos frequência: em janeiro de 2026, o Tribunal Arbitral de Moscou rejeitou o pedido de uma gestora de recursos russa de 319,4 bilhões de rublos. O principal problema é a execução: o Decreto nº 8, de 3 de janeiro de 2024, proíbe a cobrança sobre as contas do tipo C por decisões emitidas depois dessa data. Uma ação na Rússia também pode complicar a obtenção de uma licença na UE.

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